“Não Foi a Roupa”: exposição na Alesc provoca reflexão sobre a responsabilização de vítimas de violência sexual

11 de março de 2026

Mostra aberta na Galeria Ernesto Meyer Filho integra as atividades do Mês da Mulher e busca conscientizar sobre a cultura da violência e a importância do acolhimento às vítimas.

Exposição convida à reflexão

A Galeria Ernesto Meyer Filho transformou-se em um espaço de silêncio e reflexão na Alesc. Na tarde de terça-feira (10), foi aberta a exposição “Não Foi a Roupa”, que convida o público a olhar com mais atenção para histórias que, muitas vezes, permanecem invisíveis e para um questionamento que insiste em ferir: a tentativa de responsabilizar vítimas de violência sexual pelo que vestiam.

A exposição é uma ação de reflexão promovida pela Bancada Feminina da Alesc em parceria com a Comissão da Advocacia Feminina da Associação dos Advogados Criminalistas de Santa Catarina (AACRIMESC).

A mostra apresenta peças simples, discretas e infantis, evidenciando uma verdade difícil, mas necessária: a violência sexual não nasce da aparência, mas da escolha de quem agride. O foco, portanto, desloca-se da culpa para o consentimento, da suspeita para o acolhimento. Inspirada em iniciativas internacionais, a exposição integra uma proposta mais ampla de conscientização.

Debate sobre violência contra as mulheres

A deputada Luciane Carminatti (PT) destacou que a exposição evidencia que não foi a roupa, o horário, o local ou a idade.


“Queremos, com essa exposição, debater a causa da violência contra as mulheres, que, para mim, tem uma resposta: o machismo patriarcal estrutural. Esse machismo não muda apenas com a aprovação de uma lei, com uma exposição ou com um seminário, porque só mudamos a cultura construindo outra cultura.”
Deputada
Luciane Carminatti

“A exposição “não foi a roupa” se soma a outras iniciativas promovidas pela Alesc e por outros órgãos, que decidem trocar as celebrações do 8 de março deste ano por ações de efetiva reflexão sobre a verdadeira epidemia de violência contra a mulher que estamos sofrendo. É impossível não se emocionar ao passar pelos corredores da exposição, e por isso que ela é tão potente. As pessoas precisam enxergar essa realidade, e se ver dentro da dor. A exposição também revela que o preconceito para com a roupa da pessoa violada não tem o menor sentido.Minha homenagem a Elis, a Tami, curadoras da exposição, e a todos que colaboraram com a sua preparação. Que ela seja uma porta para um novo despertar em nosso estado.”
Deputada
Paulinha

Rede de apoio e conscientização

Ao lado das peças expostas, materiais informativos e narrativas reforçam a importância da rede de apoio, da denúncia e da educação como caminhos para enfrentar a cultura do estupro. O objetivo é sensibilizar, mas também provocar mudanças concretas nas atitudes individuais e nas estruturas institucionais.

“Não Foi a Roupa” apresenta-se, assim, como um convite coletivo à empatia e à responsabilidade social. Em cada peça exibida, há um chamado para reconhecer a dignidade das vítimas e reafirmar um princípio essencial: a violência nunca se justifica. A responsabilidade é sempre de quem agride. Mais do que um ato simbólico, a exposição reforça a urgência de construir uma cultura que escute, proteja e previna, em vez de julgar ou silenciar.

A mostra pode ser visitada até o dia 16 de março e integra as atividades alusivas ao Mês da Mulher.

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Agência ALESC | Notícias