NOTÍCIAS >Defensoria Pública lança relatório sobre violência contra a mulher em SC e apresenta novos painéis de dados do OVM/SC

26 de maio de 2026

A Defensoria Pública de Santa Catarina lançou, na manhã desta segunda-feira (26), o relatório “A violência contra a Mulher em Santa Catarina”, estudo que reúne dados sobre violência doméstica e familiar registrados no Estado entre 2020 e 2025. A cerimônia aconteceu no auditório da instituição, em Florianópolis, e contou com representantes do Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina (OVM-SC), do Ministério Público de Contas (MPC), além de outras instituições parceiras.

Produzido pela Defensoria Pública, por meio do Núcleo de Defesa dos Direitos das Mulheres (NUDEM) e do Centro de Estudos, Capacitação e Aperfeiçoamento (CECADEP), em parceria com o OVM-SC, o material foi construído a partir de dados oficiais da Secretaria de Estado da Segurança Pública, com base na Lei Maria da Penha. O relatório apresenta um panorama da violência contra meninas e mulheres em Santa Catarina, trazendo recortes por município, faixa etária, vínculo com o agressor, períodos e tipos de crime, como ameaça, lesão corporal, estupro e feminicídio.

Entre os dados levantados, o estudo aponta que Santa Catarina lidera o ranking nacional de registros de ameaça contra mulheres no contexto doméstico e familiar. Os números também mostram que os finais de semana concentram a maior parte das ocorrências desse tipo de violência. Nos casos de feminicídio, a segunda-feira também aparece como um dos dias com maior incidência, funcionando como uma extensão dos conflitos registrados durante o fim de semana. O material ainda reúne informações sobre as cidades com maior número de ocorrências, idade média das vítimas e grau de parentesco dos agressores, permitindo diferentes leituras sobre o cenário da violência de gênero no Estado.

Durante o lançamento, a defensora pública e coordenadora do NUDEM, Anne Teive Auras, destacou a importância da organização e análise desses dados para compreender a realidade catarinense e contribuir para ações concretas de enfrentamento à violência. “Esse trabalho reúne dados que foram compilados e analisados com o objetivo de construir um panorama da violência contra a mulher em Santa Catarina. Só conseguimos mudar aquilo que conhecemos. A ideia é que esse material possa servir de suporte para a construção de políticas públicas e também contribuir com toda a sociedade”, afirmou.

Representando o Ministério Público de Contas, a procuradora-geral de Contas, Cibelly Farias, também participou da cerimônia e destacou a importância da integração entre instituições no enfrentamento à violência de gênero. “Esses dados marcam os cinco anos do OVM-SC e mostram a importância de trabalhar com informações confiáveis e divulgadas de forma segura, para que a sociedade tenha acesso ao cenário da violência contra a mulher em Santa Catarina. Fazer parte desse trabalho com o Observatório é motivo de muito orgulho na minha trajetória profissional”, afirmou.

A assessora jurídica e pesquisadora do CECADEP, Iara Lopes, também participou da construção e análise dos dados apresentados no relatório. Durante o evento, ela destacou a importância de transformar as informações levantadas em ações concretas para a população. “A partir de agora, idealizamos que possam acontecer decisões mais racionais, humanas e inteligentes para a população vulnerabilizada de Santa Catarina. Precisamos avançar na interlocução das evidências e na institucionalidade. Nossa ação é propositiva, a partir da construção desse panorama dos dados de SC”, destacou.

O defensor público-geral, Ronaldo Francisco, participou da mesa de autoridades durante o lançamento do relatório, com a presença do subdefensor público-geral, Thiago Burlani Neves. Em sua fala, Ronaldo destacou a importância da atuação conjunta entre instituições para compreender e enfrentar a violência de gênero no Estado. “Cada avanço alcançado nasce do esforço conjunto, da atuação coletiva, da união de várias instituições, e isso precisa ser reconhecido. A complexidade desse fenômeno exige justamente isso: diálogo permanente, cooperação institucional e atuação baseada em evidências”, afirmou.

Além do relatório, o evento marcou o lançamento dos novos painéis de dados do OVM-SC, que passam a disponibilizar as informações de forma mais acessível e dinâmica para consulta pública. A ferramenta permite cruzamentos de dados e análises regionais, facilitando o acesso às informações por pesquisadores, jornalistas, instituições e sociedade civil.

O relatório completo está disponível aqui.